Home Artigos e colunas Altos vôos Petrópolis x Casimiro de Abreu 112 Km num dia mais ou menos...

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Nesta sessão você vai ficar por dentro de fantásticos
vôos de asa-delta e parapente feitos no Brasil e fora do país,
contado pelos próprios pilotos.

Petrópolis x Casimiro de Abreu 112 Km num dia mais ou menos... PDF Imprimir Envie este artigo para um amigo

Terça-feira! dia 23-09-2008
Dia que foi feito para todo mundo trabalhar.


- É..........
- Mas como é que está a condição ?
Abro a janela e.......
Oestão rasgando, teto azul, sem núvens e um cirrus se dissipando no céu.
- É.......
- Mas hoje não tem vôo em São Conrado........

Às 7:00h ligo o computador e imediatamente recebo um e-mail do Valença:Geraldo Nobre- Tá pronto ?
Um susto e ??????????
Ligo o celular e chega um torpedo dele também:
- Vambora ?
Outro susto e ??????????
5 minutos depois toca o celular.
- Tô saindo, vamos para Petrô; tive bons pressentimentos e hoje é o dia.......

Assim não há quem resista.......
Que trabalho que nada.
Praticamos um esporte que depende da natureza e é ela quem manda.
Tá dando vôo, vambora......
Lá fomos nós !

Já no carro ele trata de botar pilha na galera:
Liga para o Erick e grava na secretária eletrônica:
- Estamos tendo uma invasão de naves alienígenas nuvolentas.
- Vai deixar a gente ir sozinho prá Petrô ?
Liga para o Giovanni e manda ele largar o trabalho e partir para a rampa se não ele vai arrepiar nos pontos.

O Glauco liga para comentar da mega condição que está se formando e não acredita que já estamos na estrada........
Fica na pilha, desesperado, pois tem uma aula para dar na parte da tarde e não vai poder faltar.

Chegamos na rampa, o ventinho está perfeito de frente.
- Vamos montar antes da condição chegar......
As núvens vinham se formando da baixada para a serra.
Cada vez mais perto.
Perfeito.

Os pobres coitados que o Valença conseguiu arruinar o dia de trabalho também chegam.
Erick, Cedrick, Papito, Giovanni e Fabiano.
Como eu, também não resistiram e abandonaram tudo para ir voar.

11:45h decola o Erick e a primeira mensagem dele no rádio foi:
- Caraca tá subindo tudo !
- 5,3m/s
- Tá bom ou quer mais ?

Não há como esperar mais.....
Decola todo mundo e tacapum prá cima.
3, 4, 5 enrocasdas perfeitas e todos estampam no céu.
A galera do parapa que tinha chegado fica olhando, vendo os pontinhos velozes no céu e pensando:
- Será que dá prá gente decolar também ou tá forte ?

Enquanto eles pensam o Destemido Erick parte com tudo prá frente do Cristinho.
Foi, foi, foi, continuou fo..indo e descendo.
- ihihihihihiihi......
- Tá subindo tudo mas, tá frio, é cedo, e as descendentes tão consistentes.
- Tem que ter cuidado para não cair antes da hora.....

Valença estampa na rampa e segue prá lá também mas, ao contrário do Erick só vai na boa e estampadão.

Eu e Cedrick passeamos um pouco para o lado direito da rampa (para acumular km/pontos malandramente) e quando voltamos a da rampa já não tinha mais.
Seguimos para o Cristinho também e achamos de novo o canhão.
Primeiro falhado, depois um pontapé prá lua.

- A rota é pela encosta, pensei.....
- Tá frio, com sombras e acho que teremos poucas térmicas no meião.
- O negócio e boiar pela encosta.

Parto junto com o Cedrick na direção da Siméria e do Moren.
- Olha lá.....!!!!!!
- O Érick já se recuperou no morro do avião e já tá na nossa frente lá no paredão do Moren !!!!!!!

Chegamos no paredão do Moren e logo descobrimos que canhão....... já era........
Tem "lift" mas tá fraco e só é consistente quando a formação tá chegando na encosta.
O negócio é aproveitar o que tem e curtir o visual da floresta, dos paredões de pedra e da cachoeira que está na nossa frente.

Vamos boiando de pico em pico.
Enroscando na base da formação e aproveitando ao máximo a "chupada" das núvens.
Logo, logo descubro que arrumei um sombra.
Cedrick jogou a marimba e se amarrou na minha quilha.

O Erick dispara no rádio.
- Vou abrir para o meião que aqui tá fraco e tá ficando pesado.

- Vai não que é furada, pensei.... mas ele foi tão decisivo que respeitei sua opinião e não falei nada.

Puxei o Cedrick comigo na direção de Teresópolis.
Avistei o Dedo de Deus e cravei a rota na sua direção.
Passamos bem ao lado dele, com o visual da Granja Comari no meio de Teresópolis.
I N C R Í V E L, a vista e a sensação de passar ao largo deste cartão postal.

- Vamos seguir em frente e cruzar a garganta do soberbo para pegar o "lift" do outro lado.
- Vambora Danoninho Sombra......
E ele não decepcionou, lá fomos nós.

Cruzamos, enroscamos, lifitamos e seguimos nas fraquinhas.
No contra-forte da frente vai esta melhor.
Conforme previsto:
Chegamos lá e a condição também.
Arredondou e lá fomos nós encostar no teto de núvens.

Giovanni que vinha na cola, uma termal atrás, resolveu abrir para a Parada Modelo e foi caindo, caindo, caindo....
- Lá se foi mais um pro chão.....
- O jeito e continuar pela cordilheira até o fundo do vale.

- Vambora de novo...
E de pico em pico chegamos no fundo do vale, aonde já havia pousado uma vez.
- Pronto, agora é cruzar os morrotes da fente e chegaremos em Conceição de Macacú.
- Naquelas cordilheiras antes da cidade eu sei que tem..........
Como burro puxando a carroça, lá fui eu.
Tirada longa mas lisa e com pouca perda.

Chegamos a média altura e foi novamente junto com a formação que chegava.
Que sensação maravilhosa, aquela de enroscar redondo numa termal consistente até a base das núvens e isto há mais de 60km da decolagem.
- É, mas o teto tá baixo.....
- A serra depois de Macacu é alta e vai ser complicado pular.
- O jeito é dar um pulo de cada vez, não vai dar para passar direto como das outras vezes.
- Vamos cruzar o vale onde está a cidade e pegar nos morrotes antes da cordilheira, foram os meus pensamentos.
- Vamos...., apitei e botei lenha na caldeira do trem...

A cruzada foi firme e tivemos que acelerar um pouco, pegamos a descendente de uma formação que estava mais a direita e na frente do vento.
- Força, força, tem que passar o primeiro morro e pegar naquela concha onde as bananeiras estão encabeladas pelo vento.
- É alí.......
- E o Danoninho não veio ????
- Voltou da borda da pulada ????
- Que que houve ?
- É alí....
Pôu....
Catapum....
Duas ou três falhadas e canhão prá cima....
Derivando para as montanhas e subindo......
- É o passaporte para a cruzada da serra.
- O próximo vale é tranquilo de cruzar pois, ele é todo de aclive com o vento subindo e na próxima encosta tem uma acendente residente de nota 10.
- CADÊ ELE ?
- Ele voltou ?
- Não acredito....
- Será que ele vai tentar pegar aquela formação que vem com o vento ?
- Não, não pegou...
- Vem de lá Erick, o Cedrick tá pousando naqueles gramados antes de Cachoeiro de Macacú...
- OK ???
-rschshichsie.......
- Recebido.
É agora é só comigo.
Vamos continuar a jornada que está cruzada é de um visual alucinante.

Como era esperado, encostei na serra e o vario apitou redondo, constante até a base da núvem.
- 1500m já estou no teto e o visual de todo o caminho percorrido e o vale formado pela concha das serras de Tanguá, Cachoeiro, Friburbo e Teresópolis estava atrás de mim.
Baixo para a região mas o suficiente para cruzar para o lado de Silva Jardim e Conceição de Macacú.

Agora é chegada a hora daquela parte chata da tremedeira em vôo.
Tremedeira de porradaria da condição de rotor que está por vir e tremedeira de medo da pancadaria.
Temos altura suficiente mas, vem uma região de varios morrotes, longe da BR-101 e no rotor desta "porra" desta serra de Friburgo que ainda não consegui botar mais de 2.200m nela para passar por cima.
- Vou cair no rotor de novo......
- Mas o que fazer ?
- Voltar ?
- Jamais.
Respiro fundo, travo a barra no peito e parto.
No começo, na saída da base da núvem e ainda alto, tudo bem.
Começo a perder altura e a chocolateira começa.
Rotor de um morro.
Vento do outro.
- Tem que abrir mais para o meio para pegar o vento e depois voltar de cauda para os morrotes.
- Vai .....
- Pica....
- É, fui, piquei mas a altura toda foi pro saco...
- Saí dos rotores, cheguei nos pastos mais afastados, peguei o vento de cauda, peguei o primeiro lift, segui para o segundo e uns 15 km depois estava B A I X O.......
- 300m a 400m mais ou menos.

Sem sol, formação pesada, só me restava liftar no morrote e mirar o pasto mais próximo.
- 85 km já tá bom.
Vamos fazer uma permanênciazinha para relaxar e depois pousar naquela fazendinha alí.
Tem estrada até a BR e eu já conheço o pessoal pois já pousei alí também.

Aí o vento começa a aumentar.
Solto a asa e literalmente imito um gavião parado no vento.
Ôpa, tá subindo.
Dá um bordo prá cá, outro prá lá.
Encaixa numa termal saido do pasto e derivo com ela.
Ganhei, derivei mas caí dela.
Ainda tava falhada.
Volto, apanhando pelo rotor do morrote e começo de novo.
Abro mais para frente pois vejo um urubú começar a subir que nem elevador.
E..........
Lá vou eu.....
Agora ela ficou grande redonda e devivando na rota que eu quero.

Começar de novo........
10km andados nesta brincadeira de subir e derivar nesta térmica.
O suficiente para pular o próximo vale e chegar na próxima encosta.

Repito a dose e tô vendo Cachoeiro de Macacú ao alcançe de meu L/D.

Mas como a ganância e a esperança de achar outra é maior, em vez de abrir para o baixio, volto o bico da asa para os vales de dentro e parto.

Altura não ganhei mais mas, em compensação, passei por trás de um pico maior e caí no rotor dele, num pequeno vale estreiro e ....
Tome PORRADA do rotor ......
- É para aprender mais uma vez que não se joga por trás de um pico em um vale no través do vento.

Mas, como tinha altura suficiente, cruzei toda a rotorzeira e ainda passei por trás de outro morro tomando mais cacete para chegar num vale onde os urubús ainda lifitavam.
Já tinha consciencia que estava no fim do vôo.
110km, 4:00h da tarde, céu encoberto, núvens acachapadas e sem força e um vento consistente de través.

O negócio agora era sair do meio dos morrotes e escolher um bom pasto para pousar.
Sobrevoei a entrada do vale em que estava (com arados em baixo), olhei para a frente para a BR-101 que estava ao meu alcançe e decidi.
- Aquele pasto, sem obstáculos, sem postes, sem rotor, na beira da estrada e em frente aquele posto de gasolina é perfeito para terminar o vôo sem sustos.

Aproximei perfeito.
Rodei em cima do pasto, dei o último bordo transversal ao vento, em cima da BR e cravei a quilha no meio de um grande gramado.
3:56h de vôo e 112km de Petrô.

Compromissos chutados para o alto;
Alma lavada pelo vôo;
Esperança que amanhã tenha mais;
Terminei meu dia no resgate trocando máximas de vôo com meu parceiro de aventuras e aprendiz de Dino, Valença.

É não foi uma terça-feira normal de trabalho, foi uma TERÇA-FEIRA GORDA!

Obrigado a todos que dela participaram,
Geraldo Nobre

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