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Voando na Chapada Diamantina PDF Imprimir Envie este artigo para um amigo

BrunoPor Rodrigo

Fala Galera,

Algumas pessoas me cobraram um relato do voo onde cruzei a Chapada Diamantina.

O voo havia sido planejado, a rota foi estabelecida e seguida, havendo somente pequenos desvios para viabilizar a navegação. Minha mulher estava no resgate e não poderia ir no 100% caudal.  A ideia era sobrevoar a Chapada e só, não estava tentando bater o recorde do glorioso Sábio Nunes, nosso Rei da Bahia.

O dia amanheceu com muitos cúmulos e na hora da decolagem o céu estava 80% encoberto. Decolei e fui catapultado numa termal turbulenta, forte, desorganizada e com muita deriva, onde após 4 giros estava tendo que decidir se prosseguia na deriva mesmo muito baixou ou abandonava e voltava para a cara da rampa visando garantir uma saída tranquila. Bem, no quinto giro não decidi mais nada!!

HAHAH Já estava derivadão, agarrado como gato no speed e tentando não cair da termal e ficar no rotor! E... CAÍ!

 

PQP!  Com 400 metros da rampa eu caí...  Lá vou eu baixo no rotor e ainda nem tinha fechado o casulo. Pouso escolhido, muito ódio no coração por estar caindo e pipipipipiipii, quando estava já sem navegação, pensando em como pousar naquela bombação toda, um canhão me pegou e me deu a oportunidade de continuar voando.

Depois dos primeiros 50 km a condição mudou pela primeira vez e me vi voando num céu com 3 tetos e voo liso,  100% sombra. Resgate avisado do possível pousou e lá estava, voando como num dia de céu azul, onde ele não me falava muita coisa ou o eu não entendia seu chamado! O apagão foi grande e fiquei voando esperando o dia melhorar.  As coisas melhoraram e o voo continuou normalmente. A primeira grande dificuldade de pouso acontece na cordilheira logo após Itaberada, uns 90km.

Nessa hora a condição arredondou muito e cruzei com facilidade. Com 120 km, outro grande apagão, céu 100% fechado e os famosos 3 tetos, todos misturados, mais uma vez nada me diziam.  Traduzindo, só estava bombação onde tinha cordilheira e o voo não animava muito, por diversas vezes achei que não iria a lugar algum. Passei nesse céu branco e meu próximo objetivo era o aeroporto perto de Lençois (190km).  
Nesse ponto digo que começa a separar os homens das crianças, a mata é grande e longo o trecho sem pouso, necessitando passar alto.

A decolagem para o voo na ChapadaMais 10 km, na base, olhei e vi toda a Chapada aos meus pés! Uma das imagens mais bonitas que tenho do voo. Estava ali, enroscando e chegando cada vez mais na vertical do complexo de montanhas e o meu último pouso, já no contra vento, as margens de um pequeno rio, pequeno e provavelmente com grande dificuldade de acesso, ficando longe. Chegava a hora de decidir se iria cruzar ou não. Olho para frente e vejo um mundo de cordilheira, mata e sem pouso, nem mesmo aqueles no topo de morro, sem estradas... Tudo era pedregoso com uma mata tentando esconder a dureza das pedras. Fui até o ponto de não retorno, onde não seria possível voltar e vi do outro lado um verdinho, onde seria possível pousar.

Medo, senti medo! Euforia! Questionamentos! Eu iria passar bem no limite caso não pegasse nada, o que era quase impossível com aquele céu e vento alinhado, subindo a montanha. Resolvi passar e um minuto depois peguei um canhão! Esse sim, exatamente na vertical da chapada! Que presente! Fantástico! O perrengue passou, a Diamantina já não me colocava medo e passava a me fornecer um prazer extremo, aquele momento mágico, tanto sonhado.  Eu não tenho religião e nem acredito nesse Deus criado para acalentar a alma humana, a natureza é a prova de algo maior, forte e que estava lá, sem escolher entre o justo ou injusto, certo ou errado, somente estava lá me observando.

 

Bruno durante o voo na Chapada

 

Seguindo o voo em direção W, os pousos continuam escassos mas estão lá!  Vi pousos no 100% caudal mas eles me tiravam da BR242, onde minha mulher seguia no resgate. Precisava levar as coisas a bom termo no resgate. O voo terminou quando fiz uma transição baixa para pegar uma termal bem na frente e desenhada. Acabei desistindo, na altura que estava era pegar ou pegar, não tinha pouso.  Pensei ainda em pousar na BR caso não engatasse, mas o movimento era grande e decidi parar por aqui. Voltei no contra vento e pousei num lugar cheio de formigueiros e pequeno, mas que permitiu pousar de forma segura.

É isso, não tem preço passar voando na Chapada Diamantina!  Santa Terezinha encaixa mais de 400 km, é só mudar o propósito do voo e arriscar mais no horário da decolagem e no voo. Esse foi feito de forma lenta, sem arriscar nada pela dificuldade de pousos em algumas partes, voando praticamente o tempo todo no melhor planeio, coisa que normalmente não faço.

Agora me juntei ao Chico Santos e ao Fábio Nunes, só três passaram voando por lá.

Amantes do XC, quem vai ser o próximo? Acho que é você!

http://xcbrasil.com.br/leonardo/flight/82021

Ótimos voos ao pessoal do Xceará! Quixadá é fantástico! Esse ano não irei mas quem sabe melhor preparado fisicamente, apareço por lá em 2014! Um voo de 8/9 horas atualmente  preciso de 3 meses de UTI!  

BV

Rodrigo

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