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Recorde Sul-Brasileiro e Gaúcho de parapente 326,8 km. PDF Imprimir Envie este artigo para um amigo
Por Alfio Jr Sargento

Beleza pessoal!

Como vocês sabem no sábado, dia 7 de janeiro, foi batido o recorde Gaúcho e Sul-Brasileiro de Paraglider em Caçapava do Sul. E eu gostaria de comentar algumas coisas sobre este voo e claro agradecer a todos pelas manifestações! Confesso que na sexta-feira achava que seria mais um dia bom apenas, chegando a uns 200km de distância. Entretanto, tudo começou a mudar quando no sábado mesmo eu acordei às 5h30min e fui pegar o meu camelbak no congelador. Na hora pensei: “quando fizemos o goal, sempre temos direito a uma ceva bem gelada. E quando se bate o recorde?”. Na hora peguei um Skol que tinha na geladeira e colocando bem no fundo do meu camelbak.

foto Recorde Sul-Brasileiro e Gaúcho de parapente em Caçapava do Sul. 326,8 km.

Antes de dormir, conversando com o Luciano, falei pra ele se ligar e que se o Jarbas começasse a andar nos 70 km/h, parávamos e mudávamos o motorista (ele conta esta história para vocês...). Bom, quando chegaram lá em casa, em São Leopoldo na madrugada de sábado já vi que o Horn era o piloto – afinal, tínhamos que evitar riscos de atraso (rsrsrsr).

Chegamos em Caçapava do Sul às 10h e assim que subimos a rampa, o Donizete e o Zé Guima já estavam com as velas prontas – aaiaiaia...catarina na área de gaúcho (com todo respeito). Sem perder tempo, já fui abrindo o tubarão. Em menos de uma hora, estávamos no ar. Pena que no quilômetro 12 o Zé Guima pousou, deixando apenas o Luciano e eu no ar. Em seguida avistamos o Donizete subindo perto da Rampa do Bugiu. Nossa....acabei me enfiando em um ventão, baixo e dentro de um buraco. O Horn, sempre parceio não refugou e veio junto. Depois de uns tapas conseguimos sair e ficamos na base. Em seguida pegamos outra na cordilheira da Rampa do Bugiu. O Donizete estava mais perto e na hora já declarou que estava nos esperando para irmos juntos.

Perfeito!!

No dia 18 de janeiro de 2011, escrevi um email dizendo “Pensando mais adiante, me fica muito claro algumas características de cada piloto, uns mais arrojados, outros mais técnicos, outros mais empolgados...não sei onde vamos parar quando juntarmos todos estes estilos em um pelotão forte, com o mesmo objetivo!” O time estava formado e era certo que o recorde seria nosso!

Partimos para o voo!! E comentar aqui as 7 ou 8 horas que fizemos seria demais – isso seria um livro e não é o caso. Mas alguns pontos eu necessito comentar. Quando calculamos as médias de velocidade no inicio do voo vimos que poderíamos fazer fácil os 300 km. Foi uma alegria e empolgação. Pena que em São Gabriel, ali no quilômetro 100, a condição piorou e a média caiu. Para terem uma ideia, voamos uns 40 minutos nos segurando. Confesso que achei que o dia estaria perdido aí. Como o voo não é uma coisa tão exata e não se pode desistir nunca, perto de Rosário do Sul a condição melhorou e junto veio a alegria. Epa...uns 50 quilômetros depois os três foram ao chão. Bah...@#$%#$@#@. Não dava para acreditar que estaria tudo perdido. Um momento cinema: pegamos umas bolhas fortes e com muito vento – acho que este foi o pior momento do voo. Por estarmos baixo e pelo risco que estávamos assumindo. Mas como nenhum dos três largou, voamos uns 15km a 300 ou 350m.

Momento tenso demais, mas em seguida conseguimos sair e voltamos para o voo.

Neste momento demos uma relaxada!! O Bigode já tinha feito o lanche da tarde (dá-lhe banana!) e o Horn passa a seguinte mensagem no rádio: “Agora vamos voar até o fim, estava apertado e acabei de mijar nas bermudas”..uhaaaaaa. Bora rumo a Alegrete, chegando lá, o safado do Luciano chama o Bigode no rádio e me cobra a cerveja pelo meu recorde pessoal! Ta bom...mas estávamos no céu ainda e o que era teu estava reservado e a gente ainda ia bater o dele.

Rodando uma térmica no km 285 resolvi sair um pouco para a esquerda para ver se achava um núcleo melhor, pois estava subindo a 1...1,5. Claro que a coisa não seria tranquilo e cai da térmica e voltei afundando ficando uns 300 metros menos que eles. Na hora vejo um filme na minha cabeça, e eu não podia deixar a coisa acontecer novamente. Nisso o Bigode começou a orientar o resgate novamente. Xiiii...esta orientando por minha causa! Mas peraí,,,,calma lá! Vocês podem sair, vão indo que em seguida eu chego. E então o Horn mandou eu relaxar (como se fosse possível).Desliguei o rádio e pensei: é agora ou nunca e cagão não tem espaço para recorde. Se andamos até aqui, vou tocar em frente e catar uma boa. Decolamos juntos, voamos juntos e faremos o recorde juntos.Na hora, peguei uma boa e me juntei ao grupo.

Nisso, passamos o km 294 – o recorde pessoal do Horn... quem estava devendo ceva para quem hein my friend? E olha que passamos ali a 1000 metros do chão. Quando cruzamos os 300 km ficou claro que o recorde já era, juntamos uma vela ao lado da outra e os últimos 27 km foi só alegria e de muita euforia!

Nisso definimos como e onde seria o pouso!

Fico muito feliz com isso. Há um ano atrás eu não gostava de voar Cross, sempre precisei da adrenalina dos campeonatos. E agora estava ao lado de dois caras que considero baitas pilotos, com características bem diferentes das minhas, mostrando o que os pilotos do Sul do país fazem de melhor!!! Para terminar acho que em poucas palavras e um pensamento podemos simplificar este voo! - Humildade, dedicação, união, parceria, paixão e MUITA SORTE! - O pensamento: “Quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho” Tiger Woods

E como manda a tradição, quando pousamos, chamei o Bigode e o Luciano efalei: Quem chega no goal ganha o quê? Cerveja!

Então eis a nossa...e tirei do camel aquela Skol tinindo de gelada!!!!

Abraços meu amigos! Até o próximo voo!

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